Desenhos retrô com impressora matricial viram arte

Desenhos retrô com impressora matricial viram arte

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matricial impressora
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A tradicional impressora matricial ganha novas funções nas mãos de artistas

A impressora matricial foi a campeã de vendas durante cerca de vinte anos e, ainda hoje, ela é peça chave em alguns segmentos, como a impressão de notas fiscais, por exemplo. Ela surgiu em meados dos anos 1970, nos Estados Unidos, e fez muito sucesso por ser um equipamento resistente e com baixo custo para de manutenção. “Poucos produtos, principalmente em um área de tecnologia de ponta, conseguem se manter tanto tempo no mercado”, afirma o consultor técnico Vinicius Duarte.

A impressora matricial tem uma capacidade de impressão simples comparada às outras opções neste segmento. Ela funciona com uma cabeça de impressão que usa uma série de agulhas que se movimentam para criar pequeno pontos que vão compor as letras e palavras. “Quando a impressora matricial surgiu, o mercado de informática era muito diferente. A interface visual e os softwares eram muito mais simples, então ela foi desenvolvida para a impressão de textos. Apenas nos anos 1980, e a explosão de vendas de PCs nos Estados Unidos, elas se adaptaram para imprimir ambos”, explica o analista de sistemas Silvio Prado.

Mas nas mãos de artistas, a impressora matricial tem ganhado uma nova utilidade: arte. “Quem é fã de filmes da sessão da tarde, provavelmente vá se lembrar de cartazes com uma série de pontos que formam uma imagem só, é esse efeito que procuro em minhas obras”, diz a designer Rúbia Martins. Ela busca também usar referências da época como as roupas ou o corte de cabelo. “É uma forma de representar uma época um pouco subestimada da cultura. Para quem era criança, como eu, tudo isso remete à belas lembranças”.

As imagens criadas através da impressora matricial lembram um movimento surgido durante o impressionismo, o pontilhismo. “A técnica consiste na representação do mundo em pinturas compostas de pequenos pontos, em tom de preto e branco ou coloridos, que combinados provocam uma mistura óptica no observador”, informa T.J. de Paula, estudante paulista. “Como não sou um bom pintor, vi na impressora matricial uma forma para criar”.

Assim como Rúbia, outros adeptos do uso da impressora matricial como “pincel” alternativo escolhem temas ligados aos anos de auge do equipamento. “Não sei se há uma relação com o tipo de impressão e alguma memória emotiva, mas um desenho dos anos 80, como o Mario, por exemplo, fica muito mais legal do que um do Kratos (nota do editor – do atual God Of War) no fim do trabalho”, afirma o arquiteto Aurélio Cohen, também admirador da técnica.

São por essas e outras, que passam-se os anos e a impressora matricial permanece viva, pois, assim como criatividade humana, ela sempre encontra novas utilidades.

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